Lutas na rede municipal
E para quem pensa que isto acabou e que o atual governo municipal é diferente do anterior, nós alertamos que são “farinha do mesmo saco”. Eduardo Paes envia ao legislativo municipal um projeto privatista que entrega os serviços públicos ao controle das chamadas “OS” (‘Ongs”, fundações e empresas privadas). A iniciativa privada irá gerir os serviços públicos (em caráter terceirizado) buscando amealhar mais lucros. E o próprio processo pedagógico autônomo estará ameaçado nas escolas. Estas, assim como todo o serviço público, se tornarão empresas com metas capitalistas de eficiência e produtividade. Podemos perceber a presença deste projeto privatista também pela entrega da pasta de educação a uma secretária que tem um currículo privatizante e neoliberal. Cláudia Costin participou da reforma administrativa do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A Secretaria, através do Instituto Ayrton Sena, fundação privada, implanta prova única fora da realidade dos alunos da rede, superexplorando os profissionais que são obrigados a corrigir um sem-número de provas e organizar mapas estatísticos em pouquíssimo tempo num ritmo alucinado que lembra o ambiente de uma fábrica. O tempo do processo ensino-aprendizagem não é respeitado. Fomos e estamos sendo atropelados na nossa autonomia pedagógica. Não podemos aceitar tais medidas autoritárias.
Os profissionais de educação (funcionários administrativos e professores), alunos e pais, a comunidade escolar como um todo, das várias escolas, deve ser ouvida e suas aspirações atendidas.
Na verdade, Eduardo Paes ataca o serviço público, em conjunto com Sérgio Cabral e com apoio federal de Lula, através da implementação do PDE, cuja filosofia empresarial e neoliberal norteia também a política educacional dos governos estadual e municipal.
Devemos nos organizar para a luta e nos mobilizar da mesma forma que nos mobilizamos para barrar a aprovação automática. O projeto da aprovação automática vinha destruir a educação pública na cidade do Rio de Janeiro, mas os profissionais de educação, ao lado dos alunos e pais, e junto ao SEPE, conseguiram mais esta vitória contra aqueles que ameaçam os direitos democráticos alcançados pelos lutadores sociais desde pelo menos a histórica Grande Greve de 1979, vivência rica e inspiradora da criação e consolidação do nosso sindicato, o SEPE. “É na luta que se reconhece quem são os verdadeiros representantes dos trabalhadores e que se constrói a consciência de classe dos trabalhadores!”
A política autoritária ocorre também na rede estadual. Há anos não temos eleições diretas para a direção das escolas. O que há é a imposição de diretores por políticos na tentativa de manter seus currais eleitorais.
Por isso é fundamental para a nossa classe um Sindicato Forte com dirigentes atuantes.